terça-feira, 15 de janeiro de 2008


Eu sei que aquele motivo que parece me apertar o peito
Não é o verdadeiro motivo
Me prendi em verdades e mentiras de longas datas,
de recentes lembranças que sempre se renovam
fazendo doer a vida.
A gente realmente se acostuma com a tristeza?
É mais fácil ter medo do que abrir o coração para ser feliz,
nem que seja um pouquinho?
Talvez o meu silêncio seja por medo,
por receio de que a paixão tome de novo acento
e vire de cabeça para baixo toda a minha casa recém varrida e arejada.
Minha reticência seja pelo tempo que levo a procurar
uma verdade certa, concreta, que me faça esquecer
todas as incertezas que cicatrizaram, deixando suas marcas
em alto relevo sobre a pele e o coração.
Como Marcelo Rubens Paiva escreveu...,
mesmo estando no lugar que mais queria,
com a pessoa que mais desejava, no auge do prazer
percebeu que a vida não era só aquilo,
e teve raiva...
Eu tenho o precipício...
da dúvida e de algo mais, ainda embaçado pelo tédio
de coisas que eu não queria estar fazendo.
E a lua noturna, grande, misteriosa e solitária
nasce em meu peito
Peito de menina que sonha
que sempre deseja o mar
embora sua constituição seja de sertão
sempre sonhando com a fusão
Procurando inventar um jeito novo de viver e ver
já que a sua vida de seca e seus sonhos de água
não cabem no dia a dia de pão doce,
corações entupindo as ruas
em seus escândalos silenciosos que rasgam o asfalto do momento
que passa sem ninguém notar...





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