quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Um dia de chUvA...



Talvez a pior coisa seja sentir vergonha
do que se é, da realidade em que se vive.
Eu sinto saudade, mas não sei ao certo de quem.
Esforço-me para refletir sobre o agora,
e sobre essa realidade com a qual eu não sei lidar.
Tem tanto tempo que não encontro
àquele presente debaixo da cama nos dias
em que se esperava a mudança que sabia
que nunca viria. Devaneios de criança só.
Sentimentos engasgados, o medo da rua,
não da rua mesmo, mas das gentes que vão
reconhecer o meu olhar e o meu andar pesado,
me cobrarão responsabilidades, sorrisos e uma postura que eu não consigo ter.
Parece que fui embora do meu corpo, ou que
ele é apenas um contato distante da minha alma com o mundo exterior.
"Meus olhos têm telescópios, espiando a rua, espiando minha alma longe de mim mil metros"
Agora faz sentido o que JOão Cabral falava, escreveu, sentia.
Eu sei que essa morte de agora vai ser simbólica, como
muitas outras passadas, e a ressurreição também.
Mas eu queria, só desta vez, conseguir aquilo que eu não sei,
mas sinto que preciso.
Preciso perceber o que sempre passa as cegas.
Cansei de tatear pelos muros da coragem,
de dançar nos salões do medo,
sentar na fila do "ainda não", " vai chegar o tempo", "não é a hora"...
Meu coração caiu da corda bamba na mão do mistério.
Quero a minha velha vontade de querer uma oportunidade,
de querer ir embora, de seguir adiante.
Quero que tenha algo além dessa indefinida densidade do nada.
Daqui a pouco é Natal.
Daqui a pouco é um ano todo de dias novos no calendário.
Vai ver, são só coisas desta época...
Coisas de fim e de recomeço.



***

Nenhum comentário: