"Talvez o sentimento de solidão seja algo universal, hoje, amanhã, ontem e um pouquinho que se esqueceu... Esse estar sozinho pela rua, no ônibus, andando pelos corredores com seu velho silêncio, e o seu sentimento que dialoga, sublime, com as substâncias do mundo.
Eu queria que tivesse um olhar a buscar por mim no meio de toda essa gente, na tardinha, com o sol se pondo, quando se sente imenso e simples. Eu queria que tivesse alguém que pensasse em mim, depois de uma dia cheio, só para descansar um pouquinho a cabeça cheia de sonho, que está um pouco esquecida agora.
Os passos ainda seguem sozinhos, ainda tem essa cadeira vazia ao meu lado, cadeira que ninguém nunca sentou, um espaço que ninguém nunca ocupou. E neste mundo há muitos espaços vazios. E eu imagino que exista alguém...
Mas é o cuidado. É o cuidado... nesta hora quem me chama é a calma. Paciência, minha pequena, paciência... Vive está vida de agora e espera, o momento está guardado. Guardado...
E nada é o que sempre foi, nada mais será como foi, porque eu também não posso mais ser quem eu costumava ser, já abri o meu peito para o mundo, e os ares do universo já me penetraram a alma, e eu sou fora do tempo, em câmera lenta pela vida, e a grande interrogação minha infinita companheira."
"Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie."
Carlos Drummond de Andrade, O seu santo nome.
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