Deitada na cama do desespero
Lágrimas inundando o travesseiro
Será que sabe que pode sair? Saída? Por onde?
Começar, terminar, continuar
dizer "até breve!" descontinuar?
Escreve no vento, no tempo, naquilo que se tornará esquecimento
Mesmo não conseguindo papel e caneta
Mesmo seus dedos sem alcançar o teclado
Escreve com o pensamento
Se deixar fazer e desfazer por esse processo
É só mais uma fase ou conseguirá conversar com o seu desejo
dissuadir o seu corpo, exercitar a sua voz, acariciar suas mãos
diminuir o tremor, o dolorido no centro do seu peito.
As lembranças lhe salvarão? Lhe manterão de pé?
Vozes, conversas, sorrisos...
Se percebeu amando mais a palavra falada do que a escrita
Sons que acordaram, trouxeram Amor de volta
Quer a sua própria presença presente
Viver seus espaços de solidão, seus lugares de solidão presente
Presentes dentro da solidão foi onde lhe nasceram lembranças
do amor e seu escopo, espaço, seus sons, imagens
signos que lhe desenham, colorem sua pele
"Seu corpo é uma tela. Uma folha de papel perfeita."
A falta que criou o desespero
ou o desespero danificou seus sentidos e tudo foi consumido pelo medo
Onde, talvez agora, algo que não ousa, talvez ainda, chamar pelo nome
acordou a memória de algo acolhedor, seguro e possível
para ser, levantar, deitar, comer, experimentar
Ser toda ela, só ela, também ela pelo início e primeira vez
Sem ser fresta, pela metade, triste, sem sorriso, sem sua existência abafada estragulada desconhecida
Deitada dentro e fora do tempo
depois de tanto e muito... uma prece
Por um começo e não pelo fim.
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