quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Todas as palavras
todos os discursos estão vazios
minha escrita ruim
a vontade da morte
a visão turva
o frenesi da imbecilidade 
mapeado em todas as redes
Reproduções sem número de série
A numeração é por tempo histórico
Nascidos no ano tal, 
na década tal
Turvamento de tempos
Não precisei chegar até a esquina para ver o mundo se revirar
para desconhecer todas as gentes
para me esgueirar novamente
nos becos e vielas, 
no labirinto da memória e retomar a minha busca do fim ou de um começo quase impossível.

Entre grades e cimento vejo a lua. Vestígios da escuridão iluminada

Queria voltar no tempo 
reencontrar todas que fui
abraçá-las e ter o abraço delas também
O que eu diria? 
"Corra com toda força"?
"Fuja!"
"Crie o mundo que você sonha, tudo está aí dentro dessa cabeça, desse coração que parece só saber doer e, sobretudo, fale o que sente, fale, fale muito, fale tudo, em todos os tempos houve quem precisasse ouvir amor e sua possibilidades".

Várias vendas sob meus olhos
me desespero em arrancá-las
para num dado momento me dar conta
de que também arranquei os olhos
pois apesar de tê-los, não conseguia mais ver

não se pode ter cegueira sem olhos
Mas e os outros sentidos?
enxergar de outros meios e modos?

estou num circuito fechado
não vejo, não escuto, quase não sinto
já não falo
Me tornei cega surda e profundamente sozinha

num mundo tomado pelo excesso estímulos dos sentidos e das ilusões



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