quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

en-volta cósmica

Diga em voz alta. Escreva. Cole nos postes das cidades. Piche nos muros...
A indignação, aquela tristeza.
A dor engoliu a vida. Silenciou o canto. Anoiteceu o olhar. Tapou os ouvidos.
Andar sem rumo pelas ruas não vai diminuir a falta de ar, de respeito, o desânimo.
Não vai dar o consolo que o corpo e a mente precisam.
Nunca mais.
Não adianta mais rasgar a pele para marcar na carne palavras e juramentos vãos.
Verter o sangue como ritual de partida. Como morte simbólica.
Se mutila aos poucos para não acabar de uma vez.
Como é possível sorrir do jeito que ela ri e sentir tanta dor ao mesmo tempo?
Como ela pode ser tão colorida e tão obscura?
Ser tão suave e iluminada e tão intensamente destruidora de si?
Por fora ela brilha, por dentro ela está aos cacos.
Como é possível? Como?



Nenhum comentário: