quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Tabu

Morte.
A morte anunciada
A morte premeditada
A morte subjacente
A morte proclamada
A morte tabu
A morte é o fim.
Em todo fim existe um recomeço?
Recomeço na morte
A morte oportunizando um recomeço
Matar o momento, a lembrança daquele sorriso,
a mensagem enviada e não respondida,
o amor solitário no meio da rua,
a esperança morta de sede.
Açúcar para você que tem câncer.
Açúcar refinado para o diabético.
Doce é a morte, o morrer, o esquecimento total.
Teu olhar na memória.
Como rito, a morte foi preciso, para a reconstrução
de uma outra história, sem que existisse as marcas
da tua existência.
A morte em mim, em ti, nas palavras, recordações,
imagens, pensamento, emoções, publicações.
A violência na morte.
O silêncio na morte.
A incompreensão da morte que grita
A dor da morte não resolvida.
Meu passo, minhas roupas, minha língua...
As marcas da morte, o sabor da morte.
Morrer afinal. Não ser.
Egunguns dançando com suas roupas coloridas e exuberantes
no terreiro onde a poeira e o encanto
envolvem e enlaçam todas as almas, todos os olhos,
enfeitiçando o caminho onde Iku espera acenando.
A morte. Morte. Morte...

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