domingo, 9 de junho de 2013

Aquele silêncio

Olhar parado, grito preso no ar. Era sempre assim que a via.
Não adiantava perguntar, resposta alguma não se ouvia.
Quando falava, eram metáforas ininteligíveis.
Loucura?
Depressão?
Demência?
Gostava de virar a cadeira para o lado do entardecer e ficar por lá,
sumindo feito o sol, anoitecendo como o dia.
Sabia quando a roseira ia brotar. Quando ia chover ou só chuviscar.
Vaga-lumes pousavam em seus cabelos.
Dia desses fui em seu quarto, chamá-la para sentirmos juntas o cheirinho do chá de capim cidreira que eu estava a preparar para comermos com o bolo recém tirado do forno, quando vi um papel esquecido embaixo da cama.

"Hoje existem certezas demais. 
Sabe-se de tudo.
Sente-se quase nada.
Tudo é superficial e efêmero. 
Me apego as manifestações de vida que conseguem
animar a minha alma. 
De resto, já morri faz tempo."

Era hora do pôr do sol.


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