Ela olha pela janela do sonho e busca respostas para o que lhe prende os pés e lhe arranca as
possibilidades.
Os lenções se tornaram seus melhores amigos.
Já não consegue cortar e pintar as unhas. Pensa. Lembra. Até uma hora qualquer conseguir
se arrumar, cuidar melhor do seu corpo, do externo, do que ela mesma pode mexer e ajeitar
ao seu bel prazer.
Tudo o que sente é o sabor dos remédios. Sua língua dormente quase não sente a delicadeza
da textura dos alimentos.
Dorme a maior parte do tempo, porque a realidade ainda tem sabor de loucura.
Dorme para não enlouquecer.
Ainda é cedo.
Se revira em seus lenções e sonhos assombrados, que espera
deixar para trás num futuro breve.
Onde amanhecer não lhe doa tanto.
E o meio dia não lhe traga a memória a ideia de inutilidade.
Onde a solidão não seja tão grande e ocupe todos os espaços da casa e de seu coração.
Ainda é cedo. Ela espera.
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