Principalmente porque me encontro num momento da vida
em que é mais importante juntar a minha solidão com as necessidades
do povo, como escrevera Neruda, do que apenas externar
sentimentos em situações supostamente abstratas.
Estou disposta a viver uma vida nova, lançar um novo, um outro olhar
para a realidade que me circunda.
A dor que me abraçou nessa madrugada veio me mostrar que eu não sei viver.
Eu desaprendi a viver.
Melhor, construí a minha vida e as minhas expectativas baseadas num amor.
O amor se foi. E como viver agora numa vida que era para o amor se ele não está?
É preciso inventar uma nova vida.
Colocar uma placa bem grande em cada lembrança: ESQUEÇA!
Fazemos tanto esforço para viver com dignidade, construímos as relações
com delicadeza, e procuramos mantê-las com afeto e respeito, para que
não tenhamos a necessidade de passar por situações ruis, por rupturas injustas,
inimizades, mesquinharias sentimentais, covardia, falsidade.
Tão velho quanto o mundo é o entendimento que não temos controle da vida,
até porque somos seres humanos independentes uns dos outros, uma da outra, embora nossas vidas se afetem, o que eu amo, você pode odiar.
Se não tivermos inteligência para sabermos entender e contornar as divergências, entraremos em atrito. E a guerra está feita.
Um olho só. Um lado só. Separação.
Pode parecer ingenuidade, mas todo mundo, ou a maioria, em algum momento da vida, repousa as cores e os sabores da sua existência em alguém. E isso pode ser muito perigoso. Além de ser demasiadamente pesado, tanto para você, quanto para o alvo do seu amor.
Almas evoluídas entendem quando o amor muda de rumo, e respeitam os novos caminhos, mas sobretudo, respeitam a quem um dia foi, ainda que insensatamente, a razão da sua paz.
Estou rumando para outro lado. Onde todas as coisas brotarão de mim,
e saber como dividi-las será o meu desafio, estar aberta para quem desejar passear pelos meus caminhos e para quem estiver com o caminho aberto para mim.
E o Sertão?
O Sertão sou eu.

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