Guardei os sonhos na gaveta.
(...)
Não pude fechar a porta na cara daquele mundo que eu não gostava.
Quando não gostei de uma cara, ele me apareceu com várias outras,
num vendaval de possibilidades, derrubou as paredes de ilusão
da minha casa construída sobre as raízes de uma gameleira e muita paixão.
Decidi não reconstruir.
Saí.
Pisando sobre os restos da vontade por tantos anos alimentada que cobriam o caminho
ainda sem forma.
Aceitando a minha nova condição. Condição esta que ainda não sei nomear nem caracterizar.
Sem saber, apenas fui.
Já não resta mais nada nesse "aqui" que eu floreei.
Trago somente comigo, o impossível de desapegar,
embora tenha cortado os pulsos, tenha atravessado a rua no sinal fechado,
tenha me lançado da ponte do meio da cidade.
...universos conflitantes, externo e interno, meus sóis e constelações...
Desci a rua sem testemunhas, com algumas músicas e poemas na cabeça,
que é para não ir sem um sabor para a esperança que pode nascer do silêncio do agora.
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