sábado, 28 de maio de 2011

Cansei de dançar essa música.
De fazer parte desse jogo.
Não quero mais brincar. Perdeu a graça.
Um ciclo se finda.
(...)
Ciclo do amor perdido, da vida bagunçada, dilacerada,
da pneumonia, do desemprego, da solidão que enfraquecia, dias de desistência. 
Dias sem alegria e perspectiva.
Coloco as mãos nos bolsos da minha velha calça jeans, só fé e esperança. 
Foi tudo que me restou e eu trouxe, tudo que vou aprendendo a significar.
Tudo que queria, mudei de querer...
Tudo aqui... e alí... vai mudar.
Eu queria dizer muitas coisas... mas agora, agora não.


"Inesperadamente
a noite se ilumina:
que há uma outra claridade
para o que se imagina.

Que sobre-humana face
vem dos caules da ausência
abrir na noite o sonho de sua própria essência?

Que saudade se lembra
e, sem querer, murmura
seus vestígios antigo
de secreta ventura?

Que lábio se decerra
e- a tão terna distância!-
conversa amor e morte
com palavras da infância?

O tempo se dissolve:
nada mais é preciso,
desde que te aproximas,
porta do Paraíso!

Há noite? Há vida? Há vozes?
Que espanto nos consome,
de repente, mirando-nos?
(Alma, como é teu nome?)

Canções, Cecília Meireles. 

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