quinta-feira, 28 de abril de 2011

liMitE

pedras e passos e lama e chuva e sol e seca e sorriso e beijo e abraço e amor e a distância entre todas as coisas que  parece nunca acabar, como um elástico, vem e vai, puxa e repuxa, maltratando o coração.
Ele disso ponto. Ela disse vírgulas e preposições, objetos diretos e indiretos, transições.
Ele deu reticências e Ela, imaginação.

Receita para esquecer um grande amor:
... etc e tal.
Receita para ter sucesso na vida:
(*&*(¨*&%¨#&*¨&*¨(*

Percebeu que era limitada, que sofria de paralisia física quando sofria emocionalmente.
Por muito tempo se pensou fraca, preguiçosa, cheia de não me toques, inventadeira de coisa.
Sua meninice foi metade debaixo da cama, se escondendo do mundo e questionando a si mesma
porquê sentia assim.
Na idade adulta, não cabe mais debaixo da cama. Antes podia faltar a aula. Falta ao trabalho é mais difícil.
No mundo capitalista, na sociedade mercadológica, sendo ainda mais uma estatística não podia usar se sentimentalidades para explicar suas limitações que se acentuavam de quando em vez.
Num de seus dias mais difíceis, percebeu, não de repente, que era diferente, dessas diferenças de gente
que sente demais e sofre por querer sentir menos. Sentir de outra forma. Mudar logo de rumo quando
o sentimento não é bom.
Sabia ajudar os outros, as outras, mas não sabia se ajudar. Mal da metade do mundo...
Intensidades derramadas.
Ela seguia adiante mesmo sem um passo certo ainda.
Como um pé que gagueja.

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