domingo, 27 de março de 2011

UniVerso em expansÃo

A sua história foi escrita num livro de páginas coloridas sem linhas para acompanhar, sem margens.
Teve a impressão de que por muito tempo foi sombra, não teve rosto, coadjuvante sem falas.
Olhando os seus passos passados procurava reconhecer uma identidade, as suas identidades.
Foi sempre uma busca. Mesmo que entrelaçada por medos, mágoa e endireitamentos compulsivos.
Cada um tem o seu modo de expressar suas dores, suas crenças, seus ideais...
Ela buscava o seu modo
E riscava nos muros da memória palavras que vinham da sua força vital, daquela paixão
consumidora, sem razão, sem direção, só existia e tinha fome.
Em constante movimento, como os ciclos da vida, como as estações do ano, como o movimento de rotação, como as explosões solares. Morte e Vida. Vida e Morte.
Já não conseguia dormir sonos inteiros, vozes vinham lhe confidenciar segredos ao pé do ouvido,
vozes a lhe desabafar desencontros e estragos emocionais, olhos de mármore, vulcões adormecidos, cinzas do passado.
O passado. 
Era preciso fazer as pazes com o passado. Para poder seguir adiante, respeitar a história.
Aceitar que ela já não era mais o amor dele.
Não era a mãe, o pai, aquele amigo, o avô que ela prendia com todas a lembranças e lágrimas.
Era a si mesma que maltratava dia após dia numa busca inútil
para recuperar o irrecuperável, para reter água na concha das mãos.
Como poderia fazer ver se ela mesma estivera por muito tempo cega?
Reconheceu que não via e se punia por não ter visto. Excessos lhe causando angústias irremediáveis.
Buscou seu remédio por conta própria. E fez surgir do seu próprio veneno, antídoto.
Na última noite o sonho veio lhe acordar novas verdades.
E no seu processo de entender recordando,
percebeu, como se estivesse o tempo todo diante dela, o que era necessário.
Levantou florescendo, amadurando...
Aceitaria que não era mais aquele amor...
Que o amor muda, acaba, recomeça, traça seus próprios rumos.
Vive de reciprocidade, embora seja negada essa premissa por idealizações históricas.
E haverá novas oportunidades para o amor dela ressurgir. 
O movimento que antes ia apenas de si para si, agora vai de si para o mundo. Se renovando,
fazendo dela rio sem fim, perdendo seu começo, sem repetições.

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