As vezes não conseguia conter o sentimento,
o de repente, que insistia, do fundo do olhar, desaguando,
abrindo caminho,abaixando a poeira do sufoco, para que pudesse
respirar melhor, para que pudesse renascer aos pouquinhos durante a noite.
_ COmo é seu nome, hein?
_ Que interessa saber do nome, data de nascimento, preferências?
_ Você sempre é assim? Esquiva? Teimosa?
_ Melhor seria dizer irritadiça.
_ Se você está fazendo isso para me afastar, eu digo que está trabalhando à toa.
_ Eu gosto de rosa.
_ Eu de todas as cores
_ Amargo para mim é sabor.
_ Tudo tem gosto, salgado, doce, agredoce, amargo, azedo..
_ Eu quero ir embora
_ E eu, poder estar em todos os lugares.
_ Eu ja fiz muitas besteiras na vida, algumas me acordam durante o dia para me envergonhar.
_ E quem não fez, não faz? Experiência nunca é vergonha...
_ Perdi as estrelas que tinha no olhar...
_ "Eu ja falei tantas vezes, do verde dos teus olhos..."
_ Os meus são castanhos.
_ Que importa a cor? Importa é você olhar nos olhos de quem você quer e vê que ali tem espaço para você.
_ Por que você está fazendo tudo isso?
_ POrque desde que te vi, acordei para outra vida. Acordei para mim mesmo.
_ Mas você nem sabe quem eu sou.
_ Tenho a vida toda para saber.
_ Você tem muitas certezas!
_ Tenho é muitas vontades.
Ela sorri e pende a cabeça para o lado.
Ele inebria.
_ Se eu te beijar agora você jura não desaparecer diante de mim?
(...)
Sentia seu corpo todo arrepiar quando o cheiro do vinagre de maça da salada perfumava a cozinha.
Era orgasmo palatar, água na boca escorrendo imaginações, desejos além do desejo...
A vida havia se tornado aquele azedume... mas ela era o doce que se misturava...
no alto do desejo, olha para o passado...
"Sinto sua falta, baby, falta do seu corpo,
do seu amor, falta dos sonhos que eu sonhava contigo.
Falta daquele nosso sono, da nossa música, sinto falta da gente.
Depois de você, ninguém mais foi o meu amor."
O que há de ser, há de vir. Sonho aquele sonho que não era meu, mas
que tomei para mim e me apaixonei por ele.
E vou encarando a realidade de braços apertos, sou mais forte depois de tantas mortes.
Tenho o cruzeiro do sul no braço esquerdo, as estrelas cadentes me acompanham.
E a diversidade é a cama onde quero dormir, a roupa que quero vestir, as realidades que
quero enxergar.
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