Eu não pude fazer nada.
Uma das piores coisas na vida
é carregar o corpo de quem você ama.
Corpo amado, tantas vezes acarinhando,
quente, macio, alegre...
Agora vazio.
A gente nunca pode dar o último abraço, o último beijo,
falar do amor que sente, falar que sente muito não ter podido fazer mais,
não ter feito da vida uma maravilha.
Não existe isso. Só se tem o agora. É preciso pensar em como está se vivendo
o que se tem. A vida é tão de repente.
E o que eu queria era só que ele não tivesse sofrido tanto,
não tivesse se sentido tão só, tão longe das cosias que gostava.
E eu que pensava que a gente ia envelhecer junto.
Vai ser difícil olhar para lugares onde você ficava, gostava... e não te ver.
Um contínuo de busca e saudade.
(...)
Já chega!
Chega de tantas perdas, tanta dor.
Eu não fiz nada.
O universo e suas forças com os olhos postos no mundo,
nas estradas, nos caminhos de todos os caminhos,
nas escolhas.
Não é que as coisas não vão acontecer, mas como elas acontecem...
E eu... cansei desse jeito.
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