sábado, 25 de dezembro de 2010

Feliz natal

arte de Julieta Arroquy

Ganhou um presente de natal.
Era surpresa.
Era o amor.
Por tantas ruas que passou,
em tantas vidas que ficou,
por todas as histórias que leva...
Decide...
Desta vez não.
Desta vez não fará nada para atingir ninguém.
Atingir o pai, o amigo, o desamor. Ele ou ela.
Já consegue ver as diferenças de pormenores resolvidos,
causas, efeitos, fatos, circunstâncias.
Não precisa mais se esforçar para mostrar a outrem a diferença na sua vida
no seu cabelo, sentimentos, posturas, certo jeito de olhar.
Entendeu que precisa amar e desamar as coisas por si mesma,
e não para atingir alguém e acabar seriamente atingida.
Entende. O amor que era da sua vida tem outra vida, onde ela não está.
Está feliz. Vive um romance sem pesos, sem medidas.
Ela sabe que também vai acabar passando, hoje ou amanhã, mas vai passar.
Na distância, antes de virar as costas para tudo o que foi,
ela observa todos os detalhes, para não perder nada, para entender tudo.
Olhando adiante ela vê o moço de sorriso frouxo, cabelos de revolta,
que lhe escreveu bilhetes, que lhe faz surpresas, que sempre lhe beija com
gosto de sobremesa... braços e beijos de matar a sede.
Mas quem ele é?
Resignificará a sua presença com as roupas do amor?
A lhe ornar com finos desejos, os mais requintados e delicados fascínios da paixão...
E este amor a lhe derramar pelos dedos...
Ela pára. Espera.

Novos olhares, sabores, emoções consertadas.
"Sorrirá com seus olhos
Olhará com a sua boca"
Ela está caminhando para ser o que sempre quis.
Antes? Antes não sabia... E foi surpresa.

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