Odeio situações que se repetem. Engasgos emocionais. Estava bem, muito bem. Oscilações. A vida se tornou uma infinita corda bamba. Embrenhando no labirinto de segredos, mistérios e enganos desnecessários. Olhando a sua volta, engolia seco, tantos desejos insaciados, sentimentos guardados, conversa para depois... Me debato diante das angústias e lembranças que não são minhas, vida assistida sem querer. Sonho. E o sonho me rasga ao meio, vociferando âmago amargurado, rumo perdido, achado, esquecido, relembrado, iludido, mudado. O destino na palma da mão. E o que é o destino? Traçado, escrito, desenhado, prato feito ou receita nova? Meus segredos ao pé do seu ouvido, ao alcance do seu coração, do seu sentido. Minhas unhas curtinhas, meu cabelo desalinhado, minha fala apaixonada, meu amor guardado. Há de ser eu desta vez. Minha vez. Olhos mareados de saudade e paixão pelo que nunca vi, pelo que sempre esteve, existiu e chamou o meu nome. O o que eu sei agora? Quero comprar um barco, aprender a nadar, tocar sanfona, piano, atabaque, flauta doce, salgada, agredoce, nunca amargura da vida. Me desconheço agora, para me reconhecer depois. O sabor insalubre me silencia ante a face da tarde que me pergunta, caindo morna e saudosa, com as suas verdades falando nas cores e nos ventos.
Eu sei, amanhã é terça-feira e eu queria escrever as palavras mais lindas e doces do mundo. Mas tudo o que eu tenho é a minha lágrima incessante e esse coração apertado...
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