Certezas a goles moderados. Vim para uma terra estrangeira, onde o que era comum agora se apresenta como a expressão maior do estranho. Que estranheza maior do que a intimidade desconhecida? Antes era puro fascínio, possibilidade. Só a ideia de estar aqui era sonho alimentado por desejos imensos, sedentos. Agora qualquer aproximação é nó na garganta, abismo. Os sonhos se perdem ante a realidade solitária do trânsito. Pessoas apodrecendo feito as casas. (...) Sinto falta de viver. Da minha fé. Minha mãe. Minha irmã. Meu cachorro. Sinto falta de ter aquela vida que ainda não tenho. Quero tomar café. Biscoito de sal. Acender um incenso, tocar violão, terminar o meu conto. Ter o abraço do meu amigo. Fazer uma revolução.
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