quarta-feira, 18 de novembro de 2009


Não era tristeza. Era decepção. Não era digno. Outra vez. Indignação. Essa palavras, não tem mais o direito de dizê-las, de pronunciar o seu nome. Indigno. Não tinha o direito. Engolia. Engolia difícil a dor de cada lágrima. Novamente expondo a sua dor, sua pobreza... Estranho ter ouvido outro dia como era rica e desperdiçava a estrela que tinha. Por que tanta dor se conseguiu ver além do que não via, soube que a palavra não subsistiria, sentimento frágil? Uma alegria apenas. E esqueceu-se rapidamente da tristeza dela. Era realmente triste? Ou só vivia fora de si, para coisas e pessoas fora? E dentro só havia a esperança de uma saída? Mais uma vez, como todas as outras vezes. Morrerá. Morre agora. Para nunca mais o que um dia foi, para todos e todas que foram para ela. E do nada, refaria o seu tudo. Renasceria. Este não é o momento. Agora é o limbo, a passagem pelo inferno. Há uma porta, uma luz que pisca. Não a deixe sumir. COrra com toda força. Esqueça. Vá. Abra os olhos. Enxugue esse choro. Aprende com dignidade que a vida é o que se faz dela, e como se faz. E quem você permite fazer parte e o tanto que faz.
TOdas as coisas sempre a afetarão imensamente. Mas desta vez... desta vez já morreu o suficiente para esquecer certas coisas e precisar resurgir e se fortalecer novamente, para aí então, só então, poder viver normalmente.
Um ciclo de desfaz.
Gosto de sangue dor e morte.
A luz longe brilha feito vagalume na treva.
A escuridão não era a inimiga.
Era exatamente aí que aprendia do que era capaz, do que era feita.

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