quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Título





Quando é que se sabe que é hora de virar a esquina?
De mudar de calçada e de cabelo?
Por que não se pode mudar de coração?
É preciso reconhecer quando se chega no limite,
e forçar a corda é procurar que ela se rompa,
se parta e cair no vácuo.
Não escrevi o que tinha para escrever,
não encontrei as palavras adequadas,
as idéias boas foram tomar um fresca
na noite bonita que fez, com lua e desejos.
Eu fiquei aqui com a minha nitidez,
a gravidade de mim mesma,
percebendo que a linha reta não mais me satisfaz,
que eu quero parar de chover, chuvosíssima...
Um texto sem título é como um corpo sem alma,
ou um texto vindo do silêncio.
Tenho que preparar o meu texto de final de ano.
Escrever um para o tempo que vem.
Eu só não quero mais deixar de escrever,
de ser, de confiar e enfrentar.
Murchei demais, não quero morrer
feito planta ao sol, onde a maldade não é do sol,
mas do lugar.




"Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos."

Martha Medeiros

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