quinta-feira, 23 de outubro de 2008

zErO

Chega um tempo que fica difícil falar.
Falar de si, falar do que quer, o que pensa
sobre as coisas que se pensa.
Difícil defender aquela velha causa,
esquecer acontecimentos ruins do passado que teimam em voltar.
Parece que num certo momento da vida
a gente precisa andar só.
"Agora eu tenho que ir sozinho/a... você me espera aqui?"
Coisas que precisamos fazer sozinhos/as. Só por um tempo.
Apenas algumas coisas que só se realizam na solidão.
E fica um pouco vazia a casa.
Queria dar mais de mim, em tudo que eu fizesse.
Mas agora, só um tanto de solidão e apertos por vontades sonhadas.
Como aquela vontade de ajudar quando não se tem dinheiro.
Recomeçar do zero.
Não querendo repetir histórias alheias, embora sejam admiráveis.
Difícil construir sua própria história, dar os passos a sua maneira,
olhar a realidade de uma vista estrábica.
Com tantos nãos e silêncio, eu poderia...
Eu poderia!
Eu poderia?
EU poderia.


Sem poder o mínimo necessário para ser
Entardeço pensando no teu rosto que anoitece dormindo,
amanhecendo para o meu mistério,
para aquela parte solitária de mim, protegida de tudo.
E o que eu faço agora se me desarmei?
Se os tempos passam e eu não tenho receita,
não quis uma? Nem um mapa?
Entendo agora o que significa estar rendida/o,
fragilizada/o.

Vou andando sem saber muito onde parar.
Fecho os olhos. O sol. Esse vento.
SOns da manhã.
Queria meu caleidoscópio de volta.
Tem noites que não se consegue dormir"

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