sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Tão duro e absurdo quanto a violação de um corpo
é a violação do intelecto, a violação das idéias,
do espaço que se julgava o mais íntimo dos íntimos.
Precisava reestruturar tudo que não havia mais,
sarar a cegueira recente, a limitação do raciocínio,
a falta daquilo que nunca teve mas que sonhava.
Não sabia que, ao que se prendia agora era seguro,
ou se a insegurança vinha somente de si.
O mundo novo era seguro, mas seus passos eram bêbados
e vacilantes.
Tinha medo. Precisava matar os seus velhos fantasmas,
ou eles a engoliriam.
Tantas coisas a fazer... o tempo não dá tempo.
Queria amar muito, apaixonar-se até a loucura,
até o renascimento diário, até que seus dias cessassem,
queria a calma e a certeza de estar constantemente
alicerçada na sua paixão. Mas não sabia e queria
motivos para não saber, ou queria ter motivos para
não duvidar mais.
Ah, se eu pudesse sempre ver o teu olhar pelas
ruas onde passo,
se eu pudesse ter sempre vocÊ acenando para mim
em cada lugar que eu chegasse...
E eu continuo me desmanchando feito água toda vez que
você se vai sem me ver. Sem ME VER, sem ver o que há em mim.

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