segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O que precisava para ficar bem era chorar.
Por tudo que não entendia.
Pelas coisas que não conseguia fazer.
Por todas as suas esquisitices,
seus silêncios inapropriados.
Talvez tivesse que acabar com toda aquela saudade.
Aquela necessidade.
Aquele ciúme descabido que lhe maltratava a carne
e o pensamento e nascia para ficar só nela.
Em certos momentos odiava.
Odiava a dança dos conceitos e posturas deformadas
no salão do seu sentimento.
Queria chorar para esquecer.
Esquecer do que foi por algum tempo.
Desfazer a vida de ontem...
POr algum motivo podia se desfazer dos seus planos?
Da sua vida? De qualquer coisa que a fez acreditar
no futuro?
Algo que modificasse a sua vontade de morrer?
QUeria acreditar que podia ser verdade.
POdia ser de verdade.
Mas era tarde demais.... já estava sofrendo.
E odiava. E amava.






Você está sozinho, com sua mente cheia de ruídos. Caminhando pelas ruas, a noite envolve seu corpo.
Você vê apenas o suficiente para não tropeçar nas calçadas.
Por um instante, você escuta um som quase tão vago quanto seus dias.
Você presta mais atenção. Percebe que é um som ritmado como o de um tambor.
Você olha para trás e não enxerga nada. Pensa que está escutando as batidas de seu coração.
O som aumenta um pouco mais. A cadência é a de seus passos. Você caminha e o som aumenta mais.
Quando seu calcanhar toca o solo, o tambor bate junto.
O som vai ficando cada vez mais alto até fazer estremecer sua pele. Sua mente elimina os pensamentos vãos e você caminha cada vez mais forte.
Quando o som atinge suas entranhas e ossos, você sente uma vontade irresistível de correr.
Mas você não corre. Apenas pára e olha para o universo a seu redor.
Você mira as estrelas, ergue seus braços e grita seu nome até que todos os ruídos e dúvidas se dissipem e você volte a ser aquilo que sempre foi ou deveria ser."

João Alberto Padoveze

Nenhum comentário: