Eu tenho medo do ridículo
tenho medo do que podem falar
tenho medo da minha imagem no espelho
A realidade me assusta assombrosamente
E uma imagem parece ser tão importante
mais importante do que meus conceitos e idéias
que levaram anos para se formar, para me deformar
do que seria ideal, normal
Minha alma só sossega com o marginal, o estranho,
o solitário momentâneo, profundo em seu ser diferente
na sua pouca importância com imagem, com a sua imagem
com a imagem do outro, as imagens soltas pela rua
Quero abandonar essa postura, esse olhar, essa boca fechada
esse pensamento limitado, esse medo do ridículo, do assimétrico
de todas essas coisas que me prendem num mundo fechado
de todas as possibilidades, do belo frágil...
Hoje é o meu desaniversário... talvez o coelho louco de Alice
seja o mais feliz de todos, o mais à vontade.
E os medos precisam passar
EU quero atravessar a rua
Tomar um café
olhar a chuva
me molhar com a chuva
achá-lo com a chuva
amá-lo na chuva
abraçar a chuva
deixar que toda a água sagrada
molhe esse sertão de sempre
diminua essa seca sem fim
essa solidão do chão...
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