segunda-feira, 30 de julho de 2007

Meu caminho...?


E precisa-se externar esse sentimento de final que se encerra na alma.
Este fim, que insinua um inicio que jamais fora visto ou sentido.
ALgo exato morre, morreu, está morrendo.
Na situação exata a vida se transmuta em inexatidões temporárias.
O ser, de uma maneira tão forte e alta, além, que se confunde com o não ser
da alma que se acostumou em estar presa...

Abra as janelas, meu bem!
A brisa que vem é nova, vem do leste, onde o sol nasce,
junto com o teu primeiro desejo, teu último suspiro,
dado na noite passada...
Correu o tempo, foi parar nos ouvidos de Deus.

Têm coisas que demoram para acontecer,
mas quando acontecem, são únicas, são sinceras...
É a saciedade para a alma que necessitava.
Que tinha sede
tinha frio
tinha ausência...

SAirei de repente
Sem olhar o relógio
Sem fechar a porta

Com o desejo de deixar
junto com o compromisso,
o sentimento...




"É estranho, sem dúvida, não habitar mais a terra,
abandonar os hábitos apenas aprendidos,
às rosas e a outras coisas o sentido do vir-a-ser humano;
o que se era, entre mãos trêmulas, medrosas,
não mais ser; abandonar até mesmo o próprio nome
como se abandona um brinquedo partido.
Estranho, não desejar mais nossos desejos. Estranho,
ver no espaço tudo o quanto se encandeava, esvoaçar,
desligado. E o estar-morto é penoso
e quantas tentativas até encontrar em seu seio
um vestígio de eternidade. — Os vivos cometem
o grande erro de distinguir demasiado
bem. Os Anjos (dizem) muitas vezes não sabem
se caminham entre vivos ou mortos.
Através das duas esferas, todas as idades a corrente
eterna arrasta. E a ambas domina com seu rumor. "

Rainer Maria RilKe*

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