É bloqueio ou abandono?
Todos os dias aceno para mim mesma
vejo tudo que posso fazer
Escuto as necessidades do meu corpo
os pedidos da minha alma
Ignoro?
Ou aquela grande sombra que sempre me cega e me faz cair
e me fez cair incontáveis vezes
Volta, grandiosa, como qualquer coisa minuciosamente aterrorizante
Me fazendo gritar em silêncio
Me debato
Não enfrento
Me culpo e caio na cama, abatida, abalada, desacreditada
de tudo e de mim
Bloqueio ou abandono?
Quando entardece tomo café na velha escada de cimento
Observo o mundo entre muros antigos
a mesma vontade infantil de fugir, sair
Todas as palavras entristecidas se pensam esquecidas dentro de mim
E já não falo
Não escrevo
Não...
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