"Por que diabos eu fui fazer aquela merda?"
Ela desabafava de si para si, derramando do seu ser palavras desmedidas, esvaziando seu estoque de palavrões impronunciáveis.
Sempre fora educada, comedida, não se permitia passar dos limites ou ir além do imposto descrito no olhar, nas ações e no não dito. Diálogos no silêncio.
Só o virá uma única vez. Foi aquela maldita música. A maldita música, o maldito vocabulário, a maldita hora em que ela foi procurá-lo para retribuir a cortesia inesperada.
Ela se sentia perdida. Fazendo tudo errado. E novamente arquitetando mentalmente como poderia ter sido ou como consertar tudo que imagina ter destruído, como se os acontecimentos fossem um quebra-cabeça em exposição, livre para quem quisesse manuseá-lo, mudando a realidade como alguém que voltasse no tempo ou onipotente vendo a vida de cima, brincando de deus.
O diabo foi ela ter deixado que elementos dele adentrassem o seu universo interior. Elementos alheios são como sementes, jogadas em terra fértil e tempo bom. Tendem a brotar feito erva daninha, e quando se dá conta está por toda parte.
E mais uma vez faria o trabalho cansativo de ir arrancando pedacinho por pedacinho das lembranças e existência de alguém... Desconhecido? Intruso?
Se pudesse enganar-se e não saber que tinha sido ela quem abrirá a porta. Quem havia feito o convite e enfeitado os lugares por onde ele passou e poderia ter passado se fosse adiante.
Gerações diferentes.
O que mais pode se inventar ou se levantar para justificar a impossibilidade de um acontecimento? Caso exista, serve para explicar a sua incompreensão deste momento.
Suas mãos sangram arrancando as memórias mesmo não havendo espinhos.
Ela desabafava de si para si, derramando do seu ser palavras desmedidas, esvaziando seu estoque de palavrões impronunciáveis.
Sempre fora educada, comedida, não se permitia passar dos limites ou ir além do imposto descrito no olhar, nas ações e no não dito. Diálogos no silêncio.
Só o virá uma única vez. Foi aquela maldita música. A maldita música, o maldito vocabulário, a maldita hora em que ela foi procurá-lo para retribuir a cortesia inesperada.
Ela se sentia perdida. Fazendo tudo errado. E novamente arquitetando mentalmente como poderia ter sido ou como consertar tudo que imagina ter destruído, como se os acontecimentos fossem um quebra-cabeça em exposição, livre para quem quisesse manuseá-lo, mudando a realidade como alguém que voltasse no tempo ou onipotente vendo a vida de cima, brincando de deus.
O diabo foi ela ter deixado que elementos dele adentrassem o seu universo interior. Elementos alheios são como sementes, jogadas em terra fértil e tempo bom. Tendem a brotar feito erva daninha, e quando se dá conta está por toda parte.
E mais uma vez faria o trabalho cansativo de ir arrancando pedacinho por pedacinho das lembranças e existência de alguém... Desconhecido? Intruso?
Se pudesse enganar-se e não saber que tinha sido ela quem abrirá a porta. Quem havia feito o convite e enfeitado os lugares por onde ele passou e poderia ter passado se fosse adiante.
Gerações diferentes.
O que mais pode se inventar ou se levantar para justificar a impossibilidade de um acontecimento? Caso exista, serve para explicar a sua incompreensão deste momento.
Suas mãos sangram arrancando as memórias mesmo não havendo espinhos.
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