
E de tudo, fica um pouquinho em nós. Fica muito de alguém querido,
tanto de um momento que se desejaria que se repetisse sempre,
fica um pedaço de cada pessoa que nos atinge de maneiras diferentes.
Uma vida é soma de outras vidas.
O coração é feito de pedaços de sentimentos divididos com
aqueles que participam, juntos, dos momentos sentidos
em diferentes níveis, cores, sabores, existência.
E eu vou vivendo devagarinho, com cuidado para não sentir tanto
essa dor de uma distância esquisita do que se deseja, manso, no íntimo.
Os braços que abraçam os mundos, o corpo que carrega universos
inteiros, não tem braços que o abracem.
É andar só até não se sabe quando. Deixando o coração crescer... crescer... crescer
E eu queria. E esse querer chega a doer na carne. E nem tem remédio.
Vivendo com o peito aberto, vulnerável, ingênuo, meio bobo, sonha sempre com amores,
um peito bem simples, nas suas intensidades multicoloridas, borboletinhas
engraçadas, parecem feitas de torrões de açúcar, que se desfazem ao paladar quente
de quem tem sede...
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