
Olhou para ela com aquele olhar que ela conhecia.
Aquele olhar que externava um mundo que ela antes
quisera fazer parte, conhecendo sua simplicidade de rapaz
complicado e reticente.
Olhar que dizia muito mais do que se falasse.
Ficou em paz consigo, com ele, com o que tinham.
Ficaram em paz um com o outro.
Ela não sabia até onde ele ia dentro dela,
só sabia que agora a sua ausência não
mais a sufocaria.
Conseguira, enfim, recuperar a parte que lhe faltava.
A parte do carinho dele que havia se extraviado
numa noite de engasgos e mal entendidos.
A parte da paz que tinha de si para si,
por viver do jeito que não lhe foi permitido.
Ela só queria saber até quando
ele significaria tanto, assim, tão calmamente.
Dias chuvosos sempre o traziam de volta.
Acordavam lembranças dos velhos dias,
com sabores exóticos, que lhe fizeram cócegas
no coração e no estÔmago.
Na verdade, não queria pensar nada.
Deixar a lembrança, na sua independência,
ficar e passar, como um ônibus que para no ponto,
mas nunca fica porque tem que seguir adiante.
Quando se mergulha num olhar
a vida muda para sempre, para todos os dias.
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